RESUMO

Este presente artigo foi elaborado a partir de pesquisa bibliográfica, embasada em artigos e livros sobre o assunto visando mostrar como as pessoas com necessidades especiais, sejam elas mental, física, motora, visual ou auditiva, fazem um longo percurso até conquistarem seu direito dentro da sociedade e das instituições educacionais. Seu trajeto até os dias de hoje foi marcado por vários posicionamentos sociais, iniciando como uma visão de isolamento, pois suas diferenças eram vistas como doença e vergonha para a família, passando depois para o extremo, o endeusamento, para muito tempo depois terem seus direitos garantidos, como o de conviver com toda a sociedade de forma igualitária. A palavra incluir já se define por si só, significa acolher. E no âmbito escolar não muda sua definição e nem ação. Todas as unidades educacionais tem por obrigação legal, incluir todas as pessoas, sem exceção, garantindo o direito a educação e ao convívio social. Porém, o que se percebe são várias situações que deixam essa inclusão comprometida, seja política, de gestão, de formação profissional, de conhecimento ou até mesmo de disposição para tal. Então a questão é: será que as pessoas de inclusão, ou seja, de educação especial estão realmente incluídas nas instituições escolares que frequentam, com suas necessidades básicas respeitadas e com o olhar acolhedor que merecem, ou são apenas um número que visa dar conta de uma lei que deve ser cumprida? Com a finalidade de refletir sobre o assunto este artigo trás algumas abordagens, nas quais foi possível confirmar que  a inclusão, principalmente neste âmbito escola, ocorre como mera formalidade legal, sem priorizar ou preocupar-se em estar atendendo as necessidades, acolhendo realmente  e incluindo as pessoas portadoras de deficiência, sendo apenas expectadores e não participantes deste meio social.

Palavras chave: Inclusão. Educação. Direito


1 INCLUSÃO ESCOLAR 

Nos dias atuais o termo inclusão escolar é bastante comentado por profissionais da área educacional. Alguns desses profissionais veem a inclusão como um desafio e outros até mesmo abordam o tema como sobrecarga. De fato a inclusão é um desafio que a escola vive no cotidiano, e esta deve assegurar e garantir um ensino de qualidade que atenda as necessidades e especificidades de cada aluno.

Esta concepção tira o professor de uma zona de conforto e obriga o docente a sair de uma postura tradicional para um novo perfil que deve estar ajustado a toda e qualquer diversidade humana. Nesse contexto é importante auxiliar crianças e jovens para melhorar o desenvolvimento de aptidões sociais.

A educação no ensino regular pode favorecer o desenvolvimento da criança com necessidade especial e pode ajudá-las a conquistar um pouco de sua própria independência.

O maior desafio na inclusão é aceitação dos pais em relação as diferenças de seus filhos, levando um tempo precioso para buscar um diagnóstico preciso e  os encaminhamentos necessários que possam contribuir pra o seu desenvolvimento..

Infelizmente poucas escolas e profissionais estão preparados para receber uma criança de inclusão, devido à grande carência de qualificação profissional e até mesmo, talvez a mais importante, é a abertura e acolhimento do professor para trabalhar com essa clientela.

Fora do seio familiar, a primeira experiência de socialização geralmente é na escola. Desta forma a inclusão se torna mais consciente quando todos entendem e colaboram para este processo envolvendo alunos, professores, funcionários em geral da instituição de ensino e a família que é primordial nesse processo.

A sociedade deve se adaptar a essa demanda de condição especial que está cada vez aumentando e não querer simplesmente que eles sejam iguais a uma sociedade tão corrompida pela mídia. É preciso desenvolver nas pessoas um verdadeiro trabalho terapêutico. Família, sociedade, escola e profissionais necessários devem caminhar juntos, uma parceria essa que deve ser continua para o bem das nossas crianças.

Este artigo tem como objetivo principal sensibilizar as pessoas envolvidas no âmbito escolar, contribuindo realmente a  inclusão efetiva, respeitando e aceitando as diferenças de todos, e colaborando para sua socialização, como também favorecendo a aceitação e respeito de todos os envolvidos neste processo através de orientações e encaminhamentos necessários pedagogicamente, de infra estrutura, e humano, levando as pessoas portadoras de deficiências a sentirem-se aceitas e respeitadas.  Esse é ou deveria ser um trabalho conjunto, sociedade, famílias e escolas deveriam ser treinadas para entender o mundo das crianças que por algum motivo não atendem as expectativas dos padrões ditos “normais”.

A grande questão então é as instituições escolares, os professores e funcionários de modo geral  estão preparados para este desafio? Ou melhor, será que estão realmente abertos  e sensibilizados para esta causa e, acima de tudo direito do outro? Há uma preocupação humana na questão da inclusão por parte de nossos profissionais da educação, ou simplesmente eximir-se de qualquer problemas legais?

Em busca dessas respostas, este artigo foi elaborado através de pesquisas bibliográficas e autores que abordam este tema, que ainda caminha em passos lentos.

Procura-se  iniciar este, como um histórico, pois apesar de já haver se discutido muito sobre o assunto, a sua efetivação e legalidade ainda é recente e requer muito para chegar-se ao ideal. Na sequencia a abordagem da inclusão no seio familiar, que é onde se inicia a grande luta em busca da aceitação da própria família como da sociedade de uma modo geral, partindo então para o desafio escolar com olhar sensível e acolhedor.

2 INCLUSÃO NA PRÁTICA

2.1 BREVE HISTÓRICO

              Para iniciar esse capítulo se deve lembrar que a educação inclusiva é aparada por leis que fazem valer os direitos da pessoa com necessidades especiais, mas será que as leis estão sendo respeitadas? Salienta-se o conceito dado à educação especial pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em seu artigo 58: “entende-se por educação especial, para os efeitos desta lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais”. (BRASIL, 2004, p. 25).

           Fazendo um breve resgate histórico sobre inclusão era considerado normal o infanticídio, ato que abolia o recém-nascido causando sua morte, caso este mostrasse qualquer anormalidade. Esse ato foi tolerado até meados do século XVII. Nesse período eram idealizados homens fortes, segundo Bergamo (2010, p. 35) “as crianças que apresentavam alguma deficiência eram consideradas subumanas, legitimando assim seu abandono ou eliminação”.

          Depois do século XVII, as pessoas ditas anormais ou deficientes acertaram a serem internados em manicômios, orfanatos e outros, ainda em Bergamo (2010, p. 35) esses ficavam “juntamente com delinquentes, idosos e pedintes, ou seja, eram excluídos do convívio social por causa da discriminação que então vigorava contra pessoas diferentes”.

           A sociedade só passou ter consciência em apoiar pessoas com deficiência a partir do século XVIII, sendo de caráter assistencial, oferecia ofícios como abrigo, comida, remédios e proteção.  Bergamo (2010, p. 35) afirma que: “entretanto, sabe-se que, na verdade, elas é que eram consideradas um perigo para a sociedade”.

           O processo inclusivo tem caminhado a passos lentos em nosso país em pleno século XXI a educação de pessoas com necessidades educativas especiais ainda é um mito, a intenção deste artigo não é criticar ou fazer analogias sobre o tema inclusão e sim mostrar algumas realidades existentes nesse processo. Esta reprime em si um desencontro entre as perspectivas individuais e sociais.

O que deve ser levado em conta é que toda e qualquer criança com ou sem necessidades específicas necessitam ter acesso de qualidade à educação.

Partindo desses pressupostos o Brasil ao acordar com a Declaração Mundial de Educação para Todos em 1994, em Salamanca, na Espanha optou por um sistema de educação inclusivo. E quem são as crianças que devem ser inclusas? A declaração de Salamanca (1994, p. 17-18) ressalva que,

[…] as escolas devem acolher todas as crianças independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas ou outras. Devem acolher crianças com deficiência e crianças bem dotadas; crianças que vivem nas ruas e que trabalham; crianças de populações distantes ou nômades; crianças de minorias linguísticas, étnicas ou culturais e crianças de outros grupos ou zonas desfavorecidos ou marginalizados.

Porém, é válido destacar que mesmo sendo assegurado e amparado por leis, diretrizes, constituições e plano educacional, o processo de inclusão que garante o acesso de todos os alunos em escola regular de ensino ainda é muito subjetivo, pois nem todas as escolas sentem-se seguras para acolher crianças de inclusão.

         Sendo assim deixam de desenvolver um trabalho de qualidade centrado na aprendizagem da criança, respeitando seus limites e individualidades por na maioria das vezes não saber lidar com esses discentes. Assim não se entende que qualquer pessoa pode ser inclusa, incluir significa abranger, compreender, envolver, acrescentar, etc. Segundo Alves (2009, p. 15),

[…] para que possamos incluir, devemos respeitar e querer desenvolver o indivíduo em todos os aspectos dentro do processo de aprendizagem. Deve haver a inclusão social, respeitando a criança portadora de necessidades especiais, possibilitando-a da convivência com os indivíduos ditos normais, através de trocas, dando-lhes assim condições necessárias para a aprendizagem e o ajustamento social.

2.2 INÍCIO DE TUDO: A INCLUSÃO NO SEIO FAMILIAR

        Algumas famílias se veem em estado de desespero ao ouvir de um profissional que seu filho tem alguma necessidade educativa especial, a sensação de desamparo trás angustia e sofrimento para todos.

         Nas palavras de Alves (2009, p. 27) “a chegada de um ser especial no âmbito familiar é muito diferente do que quando recebemos um ser denominado normal”.  Muitos divórcios são feitos quando a família perdida entra em conflito, a culpa é de quem? Começa o grande questionamento, como se realmente tivesse um culpado para o fato.

          Muitos pais têm conseguido vencer as barreiras da inclusão, e suas experiências ajudam a outros a enfrentar a maior fonte de preocupação, que é o medo ao desconhecido. Na maioria das vezes o inesperado é assustador, é necessário procurar meios para que a chegada de uma criança com necessidades especiais seja menos angustiante, triste, preocupante.

           Essas famílias precisam entender que há muito que ser feito uma família unida buscando se superar cada dia mais, pode romper as barreiras do despreparo, fazendo com que o caminho a ser percorrido seja mais leve e sucinto. Alves (2009, p. 27) coloca que “entre a negação e aceitação da deficiência há um longo caminho a ser percorrido”.

           A família deve estar bem preparada para superar a idealização do filho perfeito que esperavam, não há pessoas perfeitas, todas têm suas dificuldades e limitações, algumas mais visíveis que outras, o que deve ser trabalhado desde o início é o vínculo de afetividade entre a família do sujeito que está vindo ao mundo. Ainda em Alves (2009, p. 29),

[…] um filho com deficiência nunca é desejado e, quando acontece, desperta sentimentos de perda, culpa, raiva, negação, vergonha, pena, medo e muitos outros. Ninguém está preparado para ser pai, mãe ou irmão de uma pessoa portadora de deficiência. Nem os médicos estão preparados para percebê-la, menos ainda, para dar a notícia de maneira adequada.

            Após o processo de conscientização, vem a superação das dificuldades e aceitação. Uma organização e um trabalho conjunto com profissionais especializados pode fornecer segurança para a família. Lembrando que o amor, carinho de toda a família só aumenta e fortalece os laços familiares, a participação dos pais em todas as fases do desenvolvimento dessa criança é imprescindível.

           Após aceitação familiar se inicia a busca incansável de uma aceitação da sociedade e busca dos direitos que toda criança, inclusive a de inclusão tem: Educação!

2.3 O GRANDE DESAFIO DA INCLUSÃO ESCOLAR

 

A escola é a principal aliada para o desenvolvimento da valorização dessas crianças. Pois por meio da inclusão a discriminação passa ser eliminada, é o que devemos acreditar. Sobretudo a educação deve acontecer em um processo evolutivo, cujos erros e acertos sobrevêm não se deve polemizar como a inclusão advém, mas criar subsídios para que esta ocorra da melhor maneira possível para todos.

A integração de crianças com necessidades especiais por meio da inclusão escolar pode ser feita tanto com crianças que apresentam deficiências, altas habilidades ou transtornos globais do desenvolvimento, esta estará voltada a qualidade dos serviços pedagógicos e adequação no currículo escolar, no qual a prática inclusiva não pode estar dissociada e desarticulada com a prática regular de ensino.

Faz-se necessário pensar em um currículo que reflita sobre as necessidades diferenciadas de cada criança. Na escola inclusiva o princípio deve partir do compromisso com a qualidade, superando as desigualdades que infelizmente assolam a sociedade. Porém o que se pode perceber é que o currículo atende a demanda da classe dominante. Fernandes (2011, p. 160) coloca que: “o currículo escolar materializa intenções, crenças, concepções sociais consideradas necessárias à reprodução da ordem social vigente que, por princípio, atende aos interesses da classe dominante”.

Oportunidade e igualdade para todos isso requer uma flexibilidade de conteúdos e não um currículo engessado, no qual não haja espaços para mudança. Mudar é necessário se adaptar a essas mudanças também, incluir é respeitar as peculiaridades de cada indivíduo, todos nós em algum momento da vida fomos inclusos em algo desconhecido e superar nossos limites e aprendizagens fazem parte do processo de aprender.

Todos da escola sem exceção devem saber mais sobre a inclusão e o que ela significa entender isso faz toda diferença nesse processo. A educação inclusiva deve ser uma educação de qualidade, que possa assegurar uma escola integradora para todos os alunos. Assim dentro da escola os alunos poderão contar com ajuda dos professores, funcionários e colegas de turma. O autor Cunha (2012, p.35) coloca que:

Quando amamos o que fazemos, nosso cérebro libera um neurotransmissor, a dopamina, que produz a sensação do prazer. Muitos buscam esse efeito artificialmente por meio de fármacos, mas sabemos que podemos produzi-lo, naturalmente, em nosso organismo. Mediante ações de amorosidade, pelas pessoas e nas atividades que realizamos.

Para o professor entender o perfil individual e o comportamento de cada criança, ele precisa ter expectativas reais sobre o seu desenvolvimento. A educação tem um papel importante na vida de qualquer criança, seja ela em situação formal por meio da escola ou não formal, pois os espaços educacionais vão além dos muros da escola. Leonel (2014, p. 15) afirma:

[…] assegurar um ensino de qualidade às crianças com necessidades educacionais especiais é um dever que envolve a responsabilidade e o compromisso de todos; assim é papel da escola proporcionar condições para que este aluno desenvolva suas potencialidades a partir da escolarização, de forma que esta promova o conhecimento, garantindo o direito da pessoa com deficiência.

O professor pode e deve procurar o apoio pedagógico para que isso aconteça, esse contexto pode ajudar entender um pouco melhor o que se passa naquela família ou o que já se passou. Indispensável que o educador e qualquer outro profissional que trabalhe junto à pessoa com necessidade especial seja um conhecedor de suas características.

Esses conhecimentos devem servir de sustento positivo para o planejamento das ações a serem praticadas e executadas. O professor deve ter uma formação continuada, ir à busca, abraçar a causa, aceitar o desigual por mais difícil que seja a luta o que está em jogo é um ser humano que por algum motivo precisa de adequações diferentes.

É importante lembrar também que quando se fizer necessário no que diz respeito ao Atendimento Educacional Especializado (AEE) este deve ser confiável a todos os alunos com deficiência, não sendo obrigatório para todos eles. Esse atendimento especializado é oferecido pelas instituições de ensino e deve levar em conta as necessidades de cada discente.

É destinado somente para professores especializados, o docente de AEE conduz os alunos aos conteúdos escolares, desta forma trabalha em parceria com os demais professores.

Assim, Alves (2009, p. 45) corrobora: “tenho certa preocupação da inclusão do aluno especial em uma escola. Muitas vezes não pela escola, mas sim da capacitação do professor para lidar com este indivíduo”. Quando leis são formuladas de alguma forma essas precisam ser cumpridas, mas é visível que não há uma preocupação para preparar os profissionais que irão receber a criança com necessidades especiais.

A grande verdade é que não basta capacitar somente os docentes e sim toda equipe de profissionais que formam o quadro de funcionários da escola, incluir é fácil o difícil é integrar essas crianças no ambiente escolar. Ser consciente vai além do ter conhecimento, a escola precisa ser treinada e deve fornecer subsídios para que a adaptação de todos seja garantida. Nas palavras de Alves (2009, p. 49, 50),

[…] é bom sinalizar, que o empenho na educação especial é também um reflexo do interesse da sociedade, é justamente assim que podemos firmar que tão importante a educação inclusiva é a educação inclusiva social […] tem que haver um trabalho com a sociedade, a comunidade e o educador para se fazer a inclusão social antes de tudo […]

            Por meio de atitudes gerais independente do método utilizado, não somente os docentes, mas o contexto escolar deve fornecer contribuições para que o aluno  com necessidade especial desenvolva sua autonomia. Cabe a equipe escolar fornecer materiais e conteúdos diversificados que possam incentivar o interesse e a progressão desse aluno, tornando assim uma educação inclusiva efetiva e de qualidade.

            Na maioria das vezes é preciso pensar nas deficiências das instituições de ensino e não nas dos alunos. É preciso levar em conta o cotidiano e atuar a partir dele, situações de insegurança são comuns quando algo novo ou diferente aparece, a maneira com que todos vão lidar com o episódio é que pode ser fator decisivo e desencadeador na vida do sujeito com necessidade especial. Fernandes (2011, p. 148) coloca,

[…] necessidades especiais implicam suprimir barreiras arquitetônicas, reorganizar e adaptar ambientes, contar com o apoio de profissionais especializados e a flexibilização de currículos, entre tantas outras possibilidades buscadas na modificação do contexto regular de ensino para acolher o aluno e suas singularidades.

Sabe-se que o processo é lento e apresenta muitas variáveis e sem sombra de dúvidas os professores precisam de uma formação continuada. De acordo com Almeida (2011, p. 32)

Se não mudarmos a forma como elaboramos nossos posicionamentos críticos, nossas posturas não se modificarão. E, se nossas posturas não se modificarem, nós é que teremos dificuldades de ter atitudes inclusivas. Há, a partir do pensamento de Bachelard, um olhar que deve ser despertado dentro de cada um. Esse olhar nos fará perceber o que devemos e o que podemos fazer em salas inclusivas, ou em salas de educação especial. Assim, pode até ser que respostas não tenhamos prontamente para dar a todas as questões que aparecem ou aparecerão, mas, com esse comportamento iremos persegui-las.

Não depende somente do docente uma educação inclusiva de qualidade e sim de todo um contexto político, histórico e cultural. Incluir exige condições favoráveis para que tudo corra bem, não se trata somente de formação, mas também de infraestruturas, materiais e profissionais de apoio, salas de recursos multifuncionais entre outros fatores adequados para uma inclusão significativa.

2.4  METODOLOGIA

Como citado acima o trabalho se orienta por uma metodologia de pesquisa bibliográfica, com levantamento do assunto por meio de livros e artigos científicos já publicados, fazendo uma breve abordagem acerca da inclusão no contexto, familiar e escolar e pretende mostrar como pais e professores podem trabalhar juntos nessa causa para um melhor desenvolvimento de crianças com necessidades educativas especiais, possibilitando que estas tenham direito a educação de qualidade. De acordo com Boccato (2006, p. 266),

[…] a pesquisa bibliográfica busca a resolução de um problema (hipótese) por meio de referenciais teóricos publicados, analisando e discutindo as várias contribuições científicas. Esse tipo de pesquisa trará subsídios para o conhecimento sobre o que foi pesquisado, como e sob que enfoque e/ou perspectivas foi tratado o assunto apresentado na literatura científica. Para tanto, é de suma importância que o pesquisador realize um planejamento sistemático do processo de pesquisa, compreendendo desde a definição temática, passando pela construção lógica do trabalho até a decisão da sua forma de comunicação e divulgação.

Assim, para tratar do tema, foi feita exploração por meio de uma revisão de literaturas no qual a pesquisa bibliográfica foi um trabalho investigativo minucioso em busca do conhecimento que é a base fundamental para o todo de uma pesquisa.

Entre vários autores pesquisados, alguns deles são: Antônio Eugenio Cunha (2012), Fátima Alves (2009), Geraldo Peçanha Almeida (2011), Regiane Banzzato Bergamo (2010), Sueli Fernandes (2011) e também outros autores contribuíram para que esse trabalho acontecesse e estão citados nas referências. Alguns documentos como Declaração de Salamanca e Lei de Diretrizes e Bases da Educação amparou de forma legal este artigo.

Outra forma de pesquisa utilizada foram os sites com artigos que proporcionou um maior enriquecimento ao conteúdo proposto pelo trabalho.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como já citado anteriormente não coube a este trabalho fazer críticas à inclusão de pessoas com necessidades especiais no âmbito escolar e sim colocar alguns pontos significativos no processo de inclusão que no Brasil caminha a passos lentos, mas evoluindo gradativamente.

A grande realidade vivida hoje é o despreparo para lidar com crianças com necessidades educativas especiais. O que se vê são pais e professores na maioria das vezes desesperados e sem ação perante a inclusão dessas crianças na sociedade ou no meio escolar. Treinar pais e docentes seria primordial para um melhor desenvolvimento não só da criança, mas de todos os envolvidos.

            Escola e família precisam caminhar juntas, fazendo o que for melhor e necessário para a criança. Uma simples ajuda pode levar o outro a reconhecer que cada um tem sua janela e pode abri-la quando quiser. Alguns pais já tiveram e souberam lidar com as reações de seus filhos, a troca de experiência trás ajudas múltiplas.

Em vez de destruição familiar, todos deveriam ver como uma construção familiar, no qual todos passam a enxergar que cada um vive em mundos distintos. Uns podem gostar de verde, outros podem odiar essa cor. Vale lembrar para concluir esse trabalho que todos têm uma necessidade especial, entender a necessidade do outro parece ser a maior dificuldade do ser humano.

Pais e professores preparados podem mudar o futuro de uma criança com necessidades especiais. Procurar apoio de profissionais qualificados e instituições que possam ajudar na causa faz-se necessário. Uma família inclusiva é aquela que consegue entender que não está sozinha. Uma escola inclusiva é aquela que recebe seu aluno com uma equipe preparada que possa ajudar o docente a entender que ele também não está sozinho.

Quando se fala em inclusão cabe observar que há muitas divergências, muitos mitos e muitas verdades escondidas, boicotadas ou simplesmente ignoradas, no processo de inclusão as leis fazem valer o direito de todos, mas no papel funciona bem melhor que na prática, infelizmente, a educação sofre com a carência de olhares de um sistema educacional que não consegue atender adequadamente a demanda que lhe é imposto.

A educação inclusiva só será efetiva quando todos estiverem realmente preparados para atender as crianças com suas necessidades não somente especiais, mas no geral. Tudo só será possível quando quem se propuser a trabalhar com a educação especial souber realmente como fazer.

Uma coisa que se faz necessário refletir é que não se precisa de leis somente que nos oriente, pois ela não nos proporciona a prática, esta vai exigir de todo muito trabalho, conhecimento, dedicação, olhar diferente e sentimento pelo outro, se colocando no lugar dele e da família. A pessoa dita normal deve compreender que todos tem um limite para aprender e esses devem ser respeitados.

A inclusão passará a ser significativa quando o preconceito e a falta de entendimento de muitos ignorantes deixarem de existir. Por falta de conhecimento ou pura ignorância os incluídos se tornam excluídos e muitas divergências acabam atrapalhando esse processo tão importante na evolução acerca da inclusão.

Juntos família, escola, comunidade e sociedade podem fazer a vida dessa criança ter outros sentidos que vai além de um ser com suas limitações, por trás dela existe um ser humano que precisa ser entendido. Há muitos olhares, vários caminhos e um grande desafio.

 

REFERÊNCIAS

 

ALVES, Fátima. Inclusão: muitos olhares, vários caminhos e um grande desafio. Rio de Janeiro: Wak, 2009.

ALMEIDA, Geraldo Pessanha. Minha escola recebeu alunos para a inclusão. Que faço agora? Rio de Janeiro: Wak Editora, 2011.

BERGAMO, R. B. Educação especial: pesquisa e prática. Curitiba: Ibpex, 2010.

BOCCATO, V. R. C. Metodologia da pesquisa bibliográfica. O artigo científico como forma de comunicação. Rev. Odontol. Univ. Cidade São Paulo, São Paulo.

BRASIL. Lei 9394 – LDB – Lei das Diretrizes e Bases da Educação, de 20 de dezembro de 1996.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Educação inclusiva: a escola. Brasília, 2004. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/aescola.pdf. Acesso em: 20 set. 2017.

CUNHA, Antonio Eugênio. Práticas pedagógicas para a inclusão e diversidade. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2012.

DECLARAÇÃO DE SALAMANCA. Sobre princípios, políticas e práticas na área das necessidades educativas especiais. 1994. Disponível em: HTTP://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf. Acesso em: 20 set. 2017.

FERNANDES, Sueli. Fundamentos para educação especial. Curitiba: ibpex, 2011.

LEONEL, Waléria Henrique dos Santos. O processo de escolarização do deficiente intelectual da educação básica e os desafios da prática docente: um debate relevante ao Ensino Superior. Maringá: Universidade Estadual de Maringá – UEM, 2014.

SANTOS, Ana Maria Tarcitano. Autismo: um desafio na alfabetização e no convívio escolar. São Paulo: CRDA,  2008.